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5月29日 O arroz
Mais da metade da população do mundo é consumidora do arroz e, numa era em que cada segundo da vida é um tempo precioso, a praticidade não poderia deixar de atingir esse alimento (como fez com o macarrão). A Ásia é um dos principais consumidores de arroz. De fato, a escassez de arroz e o gerenciamento de suas reservas compõem grande parte da História do Japão na Segunda Guerra. Como o arroz é um alimento rico em carboidratos, proteínas e vitamina B5, era tido como um alimento precioso e reservado aos chefes de família ou aos soldados; enquanto o resto da familia comumente se nutria da sopa feita com a água do cozimento do arroz. Aqui no Brasil não temos muita preocupação com a quantidade de arroz no mercado, mas em Bangladesh, Burkina Faso e Mauritânia (Ásia) já foram tomadas medidas para racionamento do arroz, este ano. Nestes países, grande parte da população conta com um suprimento de arroz dos governos que, devido à superpopulação e a subsequente escassez do alimento, acabaram por tomar medidas de redução do benefício. Como consequência, além da diminuição das refeições, houveram passeatas e protestos naqueles países. É meio difícil conceber essa idéia, já que em nosso país temos terras de sobra e - pelo menos - racionamento de alimentos não é uma realidade tão frequente. Em meio a toda essa tecnologia, fico pensando como serão os alimentos num futuro próximo. Com essa geração crescendo a base de miojos, comidas congeladas e panelas para o preparo de arroz padrão, como serão as avós do futuro? Acredito que todos têm uma história sobre a "comida da vovó". Quase todas as avós de nossa geração foram criadas aprendendo serviços domésticos, aprendendo a cozinhar e geralmente fazendo receitas maravilhosas. E no futuro, como será? Imagino que o mais próximo que chegaremos de ter um "comida da vovó" será algum restaurante caro por aí, ou alguma coisa congelada do supermercado. Talvez, com esses avanços tecnológicos, o fogão vire uma peça do passado, daquelas que as pessoas que vêm a sua casa olham e dizem: "nossa, você ainda tem um desses?", a exemplo do que aconteceu com videocassetes e toca-discos. Por fim, vale notar o quanto aumenta o abismo social no mundo. Enquanto uns se preocupam em ter microondas, freezer, panela elétrica; outros protestam por não ter uma xícara de arroz para comer. 4月15日 O conhecimento
Após uma série de experimentos e de reflexões pessoais, o físico escocês James Clerk Maxwell fez a estrondosa descoberta de que a luz é uma radiação eletromagnética. Diz a história que, no mesmo dia de sua constatação, Maxwell saiu para passar uma tarde com sua então futura esposa Katherine. Katherine Mary Dewar era filha do diretor da Marischall College (que posteriormente viria a mergir com outras instituições para formar a Universidade de Aberdeen), faculdade onde Maxwell começou a lecionar a cadeira de Física em 1856 ao retornar para a Escócia com objetivo de ficar perto do seu pai, de saúde debilitada. Maxwell pós-graduou-se na Universidade de Cambridge (Inglaterra). Pois bem, na supramencionada tarde/noite - supostamente um dia agradável e de céu límpido - James passeava com sua pretendente por um jardim, onde eles sentavam e ficavam por horas conversando e admirando a beleza do céu estrelado. Empolgado com sua descoberta, ele contou em detalhes para Katherine todo seu raciocínio. Depois de tudo, imagino, ambos devem ter ficado em silêncio observando as estrelas. Naquela época não havia muita iluminação, já que a eletricidade ainda estava em estudo; e as ruas - bem como toda a cidade - deveriam ser mais escuras, permitindo se ver melhor as estrelas durante a noite. Diz a história que James teria virado à sua futura esposa e indagado: "Como é ser a outra única pessoa na Terra a conhecer a verdadeira natureza da luz das estrelas?" Bom, o romantismo certamente funcionou, já que eles se casaram e aparentemente levavam uma vida bastante feliz juntos, inclusive trabalharam juntos em alguns estudos. Estudar a história das ciências e a vida de alguns cientistas é realmente algo fascinante. É bom saber que os cientistas eram pessoas "normais", com sentimentos, problemas, romantismo e etc. Inspira. Embora eu ache que se eu chegasse a uma garota e contasse sobre meu trabalho e perguntasse "E aí, como é ser a outra única pessoa na Terra a saber que o mecanismo de degradação oxidativa do fenol por radicais hidroxila em meio saturado de oxigênio ocorre majoritariamente pela via de adição orto- em meio aquoso e por via de adição para- em meio gasoso?", o máximo que eu ganharia seria uma cara retorcida e um olhar de "esse cara é doido...". Mas enfim. Convenhamos que uma molécula de fenol não é lá uma inspiração tão romântica quanto a luz das estrelas... Ainda se eu estudasse algum cosmético milagroso, quem sabe. Ou talvez o ouro, a prata, o diamante. Enfim. Ah, uma última curiosidade: Sabia que o banho-maria tem esse nome por causa de uma alquimista da Idade Média cujo pseudônimo era "Mary, the Jew"? Pois é. Com certeza sua vida acabou de mudar depois disso. Não?
"How does it feel to be the only other person to know the true nature of Starlight?" 3月30日 Quando é explicada, a poesia se torna banal...
Bem, depois de umas semanas, resolvi baixar o supramencionado filme. Infelizmente minha inteligência não é tamanha a ponto de pensar em baixar as legendas (ou simplesmente uma versão legendada). Acabei baixando o filme original, em italiano. Acredito que seja desnecessário comentar que boa parte dos diálogos passaram incompreensíveis por mim. Mas de qualquer forma, compreendi o enredo do filme (e reli o script em uma página americana, enquanto revia algumas partes). A mensagem básica do filme é que todos podem ser aquilo que sonham, desde que se esforcem para tanto. Em particular, todos podem ser poetas. Quando o carteiro (Mario) pergunta ao poeta (Neruda) como se tornar um poeta, este lhe responde: "tente caminhar lentamente pela praia, até a baía e olhar ao seu redor." "E elas virão até mim, essas metáforas?", questiona o carteiro. "Certamente," responde o poeta. "Metáfora" é um termo recorrente ao longo do filme. Eu me arriscaria a dizer que "metáfora" é uma metáfora para a inspiração e a magia que movem o pensamento poético. Segundo o poeta, a poesia surge da observação do mundo em redor (aliás, o filme tem uma fotografia impecável; o local escolhido para as filmagens - a ilha de Salina, na Sicília - é paradisíaco). Toda a complexidade e simplicidade da Natureza é inspiração para a poesia. Concordo plenamente, e vou ainda além: é inspiração também para a ciência. Ciência e poesia são gêmeas univitelinas. Ambas tem o mesmo tronco. Ambas advêm da observação da Natureza. Uma estuda seu 'corpo', a outra sua 'alma'. Uma busca entender o porquê, e a outra o portanto. Tanto o poeta como o cientista são movidos pela mesma paixão, a paixão da compreensão máxima do Universo; o vislumbramento da simplicidade bela que compõe nossa existência. São ambos motivados pelo encontro do ajuste perfeito da Natureza em cada pequeno e singelo detalhe a nossa volta. São pesquisadores, observadores, críticos, admiradores e amantes. São ambos sinônimos de uma mesma metáfora.
P.P. Uma curiosidade do filme: o ator que faz o personagem principal (o carteiro), e também um dos escritores da trama, Massimo Troisi, adiou uma cirurgia cardíaca para que pudesse completar o filme. No dia seguinte ao fim das filmagens, ele foi acometido de um ataque cardíaco fulminante e faleceu. 3月20日 Um aporte sobre as raças
Há, no enredo, dois personagens que me chamar a atenção: Lele, o filho da família judia. Um garoto magrelinho, de óculos, de cerca de 10 anos. E o seu vizinho e melhor amigo (e também narrador da história), Pietruccio. O preconceito racial é, obviamente, um absurdo. De fato, é difícil entender porque havia tanto ódio contra judeus e outras raças prevalecendo na Europa naquele tempo. É complicado entender, porque hoje sabemos que todo ser humano é formado pelos mesmos órgãos, têm as mesmas capacidades cognitivas (os desvios interraciais são estatisticamente irrelevantes) e as mesmas capacidades emocionais. Um americano, um alemão, um judeu ou um negro - em sã consciência - emocionar-se-ia ao ver uma criança mutilada pedindo por ajuda. Isso é uma reação intrínseca de qualquer ser humano. Acreditar que uma diferença na tonalidade da pele ou nos traços físicos possa ser motivo de declarar superioridade ou inferioridade é uma imbecilidade sem tamanho. E aquelas crianças sabiam disso. Aliás, crianças sabem disso. Crianças parecem saber mais do que os adultos que todos somos iguais. Todos somos seres humanos, o que nos torna aptos a amar, a sorrir, a sofrer, a chorar, a odiar. Todos temos necessidade de sermos reconhecidos como humanos, e sermos aceitos e tratados com igualdade, respeito e fraternidade. Cada um de nós tem suas peculiaridades, suas características individuais que nos tornam únicos. Mas, ao mesmo tempo, temos mais características humanas em comum com o mendigo da esquina ou um dos sultões da malásia do que características individuais que nos destaquem nesse meio. E as crianças sabem disso. Elas não tratam com diferença anormal o amigo "neguinho" ou o "japinha" da turma. Talvez devêssemos re-aprender a inocência e a não-preconceitualização, o não-abandono da moral humana em detrimento da poluição de idéias disseminadas ao longo de nosso crescimento. Talvez devêssemos honrar o adjetivo que tanto é usado para nos distinguir em meio aos seres vivos da nossa Biosfera. Talvez devêssemos ser mesmo racionais de vez em quando. 2月27日 Vital Few/Useful Many
Obviamente que este filosófico e pensativo ser que por meio deste vos fala, não poderia deixar de achar uma aplicabilidade deste conceito na vida corriqueira. Estava ele a ler um tópico em um blog avulso pela internet quando algo estalou em sua mente. Existem momentos na vida em que estamos em um estado de espírito tão confuso, que não enxergamos algumas coisas óbvias que estão bem a frente de nosso nariz. E, por conta disso, acabamos desperdiçando alguns momentos com algumas pessoas, que no fim acabaremos por sentir muita falta. Talvez um dia os vejamos como sendo parte do vital few, enquanto no momento os vemos englobados no grupo dos useful many. O mesmo é válido para os erros que cometemos. O tamanho do erro é medido pela extensão e o valor dos danos causados. Todos temos aqueles pequenos erros dos quais nos lembraremos e amargaremos pelo resto da vida: the vital few.
A mesma filosofia vale para os momentos da vida. De todas as décadas que vivemos, possivelmente nossa memória seja capaz de captar e recordar apenas uns poucos momentos. E com certeza serão esses poucos momentos que terão moldado toda nossa idéia da vida. Muitas vezes alguns pequenos momentos, como um sorriso, um olhar, o calor de um abraço, podem acabar sendo aqueles dos quais nos lembraremos quando estivermos velhos e acabados. Talvez o primeiro beijo, a primeira vez, o primeiro balbuciar de 'mama' ou 'papa' do filho. É nas coisas pequenas que está o vital da vida, realmente. Seja lá quem foi Joseph Juran, ele não poderia ter sido mais feliz no termo que cunhou. É uma pena que tenha sido a partir de uma observação tão triste. "Aproveite bem as pequenas coisas; algum dia você vai saber que elas eram grandes." (Robert Brault) |
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