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2月18日 Love/Addiction
Segundo a wikipedia, "o termo vício é empregado para descrever uma compulsão recorrente exibida por um indivíduo ao se engajar em uma atividade específica, mesmo sob consequências negativas em sua saúde, estado mental ou vida social". Sugerem-se fatores causadores alguns fatores genéticos, biológicos/farmacológicos e sociais. O vício é algo difícil de se romper, e o rompimento não vem sem sofrimento. Aliás, o próprio termo 'rompimento' já vem carregado de uma significância dolorosa. Romper significa quebrar, finalizar. Quando se rompe uma artéria, por exemplo, ela perde sua utilidade. Ela está 'quebrada', e assim ficará até ser reparada cirurgicamente. Quando alguém morre, rompe-se uma convivência, quebra-se um contato, finaliza-se uma história. E, nesse caso, não há cirurgião no mundo que repare. Um vício se inicia a partir do primeiro contato com seu objeto. Obviamente que, se a atividade for ruim, o indivíduo não se viciará. Entretanto, geralmente o resultado da atividade é um pico de uma sensação muito boa, o que faz com que o indivíduo transforme essa atividade numa prática recorrente. O exemplo mais claro é o uso de drogas. É óbvio que todos sabem que o uso prolongado de drogas alucinógenas tem uma série de consequências negativas, tanto físicas quanto sociais. Mas, ainda assim, a sensação escapista promovida pelo seu uso é tão agradável ao usuário que ele se entrega completamente e ignora os efeitos a longo (ou às vezes nem tão longo assim) prazo. Outro exemplo é a compulsão por compras. As pessoas (es pecialmente mulheres) sentem-se tão bem fazendo compras, que ignoram que talvez não tenham dinheiro para pagar tudo no fim do mês, ou que estão usando um dinheiro que deveria tomar outros fins. Bem, o ponto é o seguinte: é o 'amor' um vício?
O mesmo é válido para alguns sentimentos recíprocos. Quando a proximidade permite, o vício é 'vivido', e os compartilhadores desse vício têm seus momentos de prazer. Mas quando a distância ou algum outro fator externo não permite a vivência desse vício, vem a tristeza, a solidão, a desilusão e a depressão. É a 'crise de abstinência'. Nessas horas, fica-se em face de uma decisão que envolve duas alternativas: romper com o vício, ou continuar viciado, mesmo com todas as consequências negativas. Bem, todas as pesquisas e o senso comum apontam que a parte mais difícil é o rompimento do vício, seja ele qual for. O ser humano parece ter uma forte inclinação ao 'aproveite o hoje' (e, com todo o respeito ao leitor, 'foda-se o amanhã'), que tem seus momentos de aplicabilidade, mas que muitas vezes acaba sendo um complicador do futuro. Romper com um vício implica em contradizer o tão pregado pensamento do carpe diem. Acredito que os idealizadores dessa filosofia tinham em mente um método não-destrutivo de 'aproveitar o dia'; algo na linha do 'aproveite com moderação' das propagandas de bebidas alcoólicas. Mas, de qualquer forma, é um fator a se pesar no rompimento do vício e, por isso, muitas pessoas sustentam esse vício por longos anos. Pode ser um vício em bebida, em cigarro, em drogas ilícitas, em trabalho ou até mesmo um casamento, quem sabe? Citando o episódio de Grey's Anatomy de mesmo nome do título do post: "Because no matter how badly a thing is hurting us...sometimes letting it go hurts even worse." (Porque não importa o quão intensamente algo nos machuque... às vezes deixá-lo para trás machuca mais ainda). Às vezes insistimos em um vício que sabemos que vai nos destruindo aos poucos, só porque somos fracos o suficiente para deixá-lo para trás (porque somos fracos o suficiente para não aguentarmos a dor decorrente do rompimento desse vício). Mas com um pouco de esforço e sofrimento, todos conseguem.
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