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日志


2月27日

Vital Few/Useful Many

 

Existe um conceito em Qualidade (na verdade, em vários campos. Tanto que o termo foi cunhado pelo economista Joseph Juran e absorvido pela Teoria Econômica) conhecido como "vital few" e "useful many". A idéia original era relacionada ao fato de existirem poucas pessoas com muito dinheiro e muitas com pouco. Aqueles poucos que possuem o maior capital são vitais para o desenvolver da economia, e os muitos com pouco, úteis para que a economia caminhe. Daí a expressão.

Obviamente que este filosófico e pensativo ser que por meio deste vos fala, não poderia deixar de achar uma aplicabilidade deste conceito na vida corriqueira. Estava ele a ler um tópico em um blog avulso pela internet quando algo estalou em sua mente.

Existem momentos na vida em que estamos em um estado de espírito tão confuso, que não enxergamos algumas coisas óbvias que estão bem a frente de nosso nariz. E, por conta disso, acabamos desperdiçando alguns momentos com algumas pessoas, que no fim acabaremos por sentir muita falta. Talvez um dia os vejamos como sendo parte do vital few, enquanto no momento os vemos englobados no grupo dos useful many. O mesmo é válido para os erros que cometemos. O tamanho do erro é medido pela extensão e o valor dos danos causados. Todos temos aqueles pequenos erros dos quais nos lembraremos e amargaremos pelo resto da vida: the vital few.

i_can_always_make_you_smile Se formos pensar em todas as pessoas que nos cercam, com certeza seremos capazes de indicar um seleto grupo daquelas que - no presente momento - são vitais para nosso bem-estar. Bom, eu posso lhe garantir com quase 100% de certeza que pelo menos uma daquelas pessoas que você listou no seu grupo dos vital few, teria lhe enquadrado nos useful many. Analogamente, para alguém que talvez você nem tenha considerado naquele grupo, você é fundamental. Interessante as relações humanas, não? Um pouco cruel, mas talvez essa 'inesperabilidade' (ou 'imprevisibilidade', para usar um português mais correto) seja justamente aquilo que torna os sentimentos recíprocos tão especiais e tão raros.

A mesma filosofia vale para os momentos da vida. De todas as décadas que vivemos, possivelmente nossa memória seja capaz de captar e recordar apenas uns poucos momentos. E com certeza serão esses poucos momentos que terão moldado toda nossa idéia da vida. Muitas vezes alguns pequenos momentos, como um sorriso, um olhar, o calor de um abraço, podem acabar sendo aqueles dos quais nos lembraremos quando estivermos velhos e acabados. Talvez o primeiro beijo, a primeira vez, o primeiro balbuciar de 'mama' ou 'papa' do filho. É nas coisas pequenas que está o vital da vida, realmente. Seja lá quem foi Joseph Juran, ele não poderia ter sido mais feliz no termo que cunhou. É uma pena que tenha sido a partir de uma observação tão triste.

"Aproveite bem as pequenas coisas; algum dia você vai saber que elas eram grandes." (Robert Brault)

2月18日

Love/Addiction

 

Quais as principais características de um vício? Quero dizer, para poder categorizar alguém como viciado em algo, quais as peculiaridades que esse alguém deve exibir?

Segundo a wikipedia, "o termo vício é empregado para descrever uma compulsão recorrente exibida por um indivíduo ao se engajar em uma atividade específica, mesmo sob consequências negativas em sua saúde, estado mental ou vida social". Sugerem-se fatores causadores alguns fatores genéticos, biológicos/farmacológicos e sociais.

O vício é algo difícil de se romper, e o rompimento não vem sem sofrimento. Aliás, o próprio termo 'rompimento' já vem carregado de uma significância dolorosa. Romper significa quebrar, finalizar. Quando se rompe uma artéria, por exemplo, ela perde sua utilidade. Ela está 'quebrada', e assim ficará até ser reparada cirurgicamente. Quando alguém morre, rompe-se uma convivência, quebra-se um contato, finaliza-se uma história. E, nesse caso, não há cirurgião no mundo que repare.

Um vício se inicia a partir do primeiro contato com seu objeto. Obviamente que, se a atividade for ruim, o indivíduo não se viciará. Entretanto, geralmente o resultado da atividade é um pico de uma sensação muito boa, o que faz com que o indivíduo transforme essa atividade numa prática recorrente. O exemplo mais claro é o uso de drogas. É óbvio que todos sabem que o uso prolongado de drogas alucinógenas tem uma série de consequências negativas, tanto físicas quanto sociais. Mas, ainda assim, a sensação escapista promovida pelo seu uso é tão agradável ao usuário que ele se entrega completamente e ignora os efeitos a longo (ou às vezes nem tão longo assim) prazo. Outro exemplo é a compulsão por compras. As pessoas (es pecialmente mulheres) sentem-se tão bem fazendo compras, que ignoram que talvez não tenham dinheiro para pagar tudo no fim do mês, ou que estão usando um dinheiro que deveria tomar outros fins.

Bem, o ponto é o seguinte: é o 'amor' um vício?

Existem alguns casos em que um relacionamento machuca. Estar apaixonado por alguém sem retorno é um dos exemplos mais óbvios e mais ubiquamente conhecidos (embora esse caso fuja um pouco da definição usual de 'relacionamento'). Quem nunca se apaixonou por alguém que era indiferente a seu sentimento? Muitas vezes é gostoso estar apaixonado. Estar perto daquela pessoa que te faz abrir um sorriso enorme quando fala seu nome, ou que te faz derreter ao sorrir olhando em seus olhos. São pequenos momentos que não teriam a menor significância se não fosse sob o prisma de um coração apaixonado, que logo pulsa mais forte e manda uma cota extra de sangue para os vasos do rosto, fazendo-o se enrubescer. Entretanto, quando se está longe da pessoa desejada, vêm os pensamentos de indiferença e toda aquela torrente de idéias negativas, e o ser apaixonado se deprime; assim como o viciado que tem curtos instantes de prazer quando exposto à atividade de seu vício e longas horas de depressão, de ausência, de abstinência.

O mesmo é válido para alguns sentimentos recíprocos. Quando a proximidade permite, o vício é 'vivido', e os compartilhadores desse vício têm seus momentos de prazer. Mas quando a distância ou algum outro fator externo não permite a vivência desse vício, vem a tristeza, a solidão, a desilusão e a depressão. É a 'crise de abstinência'. Nessas horas, fica-se em face de uma decisão que envolve duas alternativas: romper com o vício, ou continuar viciado, mesmo com todas as consequências negativas.

Bem, todas as pesquisas e o senso comum apontam que a parte mais difícil é o rompimento do vício, seja ele qual for. O ser humano parece ter uma forte inclinação ao 'aproveite o hoje' (e, com todo o respeito ao leitor, 'foda-se o amanhã'), que tem seus momentos de aplicabilidade, mas que muitas vezes acaba sendo um complicador do futuro. Romper com um vício implica em contradizer o tão pregado pensamento do carpe diem. Acredito que os idealizadores dessa filosofia tinham em mente um método não-destrutivo de 'aproveitar o dia'; algo na linha do 'aproveite com moderação' das propagandas de bebidas alcoólicas. Mas, de qualquer forma, é um fator a se pesar no rompimento do vício e, por isso, muitas pessoas sustentam esse vício por longos anos. Pode ser um vício em bebida, em cigarro, em drogas ilícitas, em trabalho ou até mesmo um casamento, quem sabe? Citando o episódio de Grey's Anatomy de mesmo nome do título do post: "Because no matter how badly a thing is hurting us...sometimes letting it go hurts even worse." (Porque não importa o quão intensamente algo nos machuque... às vezes deixá-lo para trás machuca mais ainda). Às vezes insistimos em um vício que sabemos que vai nos destruindo aos poucos, só porque somos fracos o suficiente para deixá-lo para trás (porque somos fracos o suficiente para não aguentarmos a dor decorrente do rompimento desse vício). Mas com um pouco de esforço e sofrimento, todos conseguem.

The thing about addiction is it never ends well. Because eventually whatever it is that was getting us high... stops feeling good and starts to hurt. Still, they say you don't kick the habit 'til you hit rock bottom. But how do you know when you're there? Because no matter how badly a thing is hurting us... sometimes letting it go hurts even worse.