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2月27日 Vital Few/Useful Many
Obviamente que este filosófico e pensativo ser que por meio deste vos fala, não poderia deixar de achar uma aplicabilidade deste conceito na vida corriqueira. Estava ele a ler um tópico em um blog avulso pela internet quando algo estalou em sua mente. Existem momentos na vida em que estamos em um estado de espírito tão confuso, que não enxergamos algumas coisas óbvias que estão bem a frente de nosso nariz. E, por conta disso, acabamos desperdiçando alguns momentos com algumas pessoas, que no fim acabaremos por sentir muita falta. Talvez um dia os vejamos como sendo parte do vital few, enquanto no momento os vemos englobados no grupo dos useful many. O mesmo é válido para os erros que cometemos. O tamanho do erro é medido pela extensão e o valor dos danos causados. Todos temos aqueles pequenos erros dos quais nos lembraremos e amargaremos pelo resto da vida: the vital few.
A mesma filosofia vale para os momentos da vida. De todas as décadas que vivemos, possivelmente nossa memória seja capaz de captar e recordar apenas uns poucos momentos. E com certeza serão esses poucos momentos que terão moldado toda nossa idéia da vida. Muitas vezes alguns pequenos momentos, como um sorriso, um olhar, o calor de um abraço, podem acabar sendo aqueles dos quais nos lembraremos quando estivermos velhos e acabados. Talvez o primeiro beijo, a primeira vez, o primeiro balbuciar de 'mama' ou 'papa' do filho. É nas coisas pequenas que está o vital da vida, realmente. Seja lá quem foi Joseph Juran, ele não poderia ter sido mais feliz no termo que cunhou. É uma pena que tenha sido a partir de uma observação tão triste. "Aproveite bem as pequenas coisas; algum dia você vai saber que elas eram grandes." (Robert Brault) 2月18日 Love/Addiction
Segundo a wikipedia, "o termo vício é empregado para descrever uma compulsão recorrente exibida por um indivíduo ao se engajar em uma atividade específica, mesmo sob consequências negativas em sua saúde, estado mental ou vida social". Sugerem-se fatores causadores alguns fatores genéticos, biológicos/farmacológicos e sociais. O vício é algo difícil de se romper, e o rompimento não vem sem sofrimento. Aliás, o próprio termo 'rompimento' já vem carregado de uma significância dolorosa. Romper significa quebrar, finalizar. Quando se rompe uma artéria, por exemplo, ela perde sua utilidade. Ela está 'quebrada', e assim ficará até ser reparada cirurgicamente. Quando alguém morre, rompe-se uma convivência, quebra-se um contato, finaliza-se uma história. E, nesse caso, não há cirurgião no mundo que repare. Um vício se inicia a partir do primeiro contato com seu objeto. Obviamente que, se a atividade for ruim, o indivíduo não se viciará. Entretanto, geralmente o resultado da atividade é um pico de uma sensação muito boa, o que faz com que o indivíduo transforme essa atividade numa prática recorrente. O exemplo mais claro é o uso de drogas. É óbvio que todos sabem que o uso prolongado de drogas alucinógenas tem uma série de consequências negativas, tanto físicas quanto sociais. Mas, ainda assim, a sensação escapista promovida pelo seu uso é tão agradável ao usuário que ele se entrega completamente e ignora os efeitos a longo (ou às vezes nem tão longo assim) prazo. Outro exemplo é a compulsão por compras. As pessoas (es pecialmente mulheres) sentem-se tão bem fazendo compras, que ignoram que talvez não tenham dinheiro para pagar tudo no fim do mês, ou que estão usando um dinheiro que deveria tomar outros fins. Bem, o ponto é o seguinte: é o 'amor' um vício?
O mesmo é válido para alguns sentimentos recíprocos. Quando a proximidade permite, o vício é 'vivido', e os compartilhadores desse vício têm seus momentos de prazer. Mas quando a distância ou algum outro fator externo não permite a vivência desse vício, vem a tristeza, a solidão, a desilusão e a depressão. É a 'crise de abstinência'. Nessas horas, fica-se em face de uma decisão que envolve duas alternativas: romper com o vício, ou continuar viciado, mesmo com todas as consequências negativas. Bem, todas as pesquisas e o senso comum apontam que a parte mais difícil é o rompimento do vício, seja ele qual for. O ser humano parece ter uma forte inclinação ao 'aproveite o hoje' (e, com todo o respeito ao leitor, 'foda-se o amanhã'), que tem seus momentos de aplicabilidade, mas que muitas vezes acaba sendo um complicador do futuro. Romper com um vício implica em contradizer o tão pregado pensamento do carpe diem. Acredito que os idealizadores dessa filosofia tinham em mente um método não-destrutivo de 'aproveitar o dia'; algo na linha do 'aproveite com moderação' das propagandas de bebidas alcoólicas. Mas, de qualquer forma, é um fator a se pesar no rompimento do vício e, por isso, muitas pessoas sustentam esse vício por longos anos. Pode ser um vício em bebida, em cigarro, em drogas ilícitas, em trabalho ou até mesmo um casamento, quem sabe? Citando o episódio de Grey's Anatomy de mesmo nome do título do post: "Because no matter how badly a thing is hurting us...sometimes letting it go hurts even worse." (Porque não importa o quão intensamente algo nos machuque... às vezes deixá-lo para trás machuca mais ainda). Às vezes insistimos em um vício que sabemos que vai nos destruindo aos poucos, só porque somos fracos o suficiente para deixá-lo para trás (porque somos fracos o suficiente para não aguentarmos a dor decorrente do rompimento desse vício). Mas com um pouco de esforço e sofrimento, todos conseguem.
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